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Sou de gêmeos

Você pode até não acreditar nessas coisas de signo, se nossos astros combinam e se a posição da lua nos favorece, entretanto quero te dizer que sou de gêmeos. É isso, sou de gêmeos e parece que todos nós, que somos de gêmeos, somos um pouco excêntricos, desinibidos, despreocupados e até solitários. Nós não temos dificuldade em nos apegar, não é bem assim. Entretanto odiamos a ideia do depender de alguém. Conversas longas, olhares demorados, perguntar aonde foi ou o que fez, até gostamos. Mas hoje, amanhã não. Semana que vem? Talvez! Esse é o lance. O que para os outros pode ser esquisito ou falta de personalidade, para nós é apenas uma variação. Hoje posso querer te dedicar todas as canções da Anavitória, te abraçar forte e planejar uma viagem a Nova Iorque. E dois dias depois, querer um tempo sozinho. Olhares rápidos, nada de bom dia e até preferir você de verde, sendo que semana passada era de azul.  Gosto de paz, quero confusão. Gosto de chocolate branco, quero chocolate preto. Quer…

Sentindo ao coração

A chuva caindo lá fora e eu sigo com minhas pretensões de ficar em casa. Festa para mim tem sido na cama, com o DJ travesseiro e um open bar de Netflix. O lance é que essas coisas vazias como dar voltas num espaço com luzes piscando e música alta tocando, não causa mais nada. O frio na barriga de ver gente nova também desapareceu. E olha que eu nem criei certas defesas, mesmo após tantas quedas e tropeços. Poucas coisas têm feito meu coração sair da inércia. Mas não pense que com isso digo que me sinto sozinho. Não, jamais. Até porque depois de um tempo, eu achei na escrita uma forma de falar sobre minhas emoções e até de ter companhias.  Comecei a criar histórias, recontar minhas aventuras e imaginar tantos diálogos. Por que eu escrevo? Para me salvar. Coloco no papel o que a alma grita, até porque joelhos ralados se curam mais rápidos do que corações partidos. Passei escrever o que sinto e vivo, isso não significa que fico vinte e quatro horas com um papel em mãos. Porque na verdade,…

O que a alma sente

"Liguei para saber como você está". Mentira. Ligou por uma vaidade ou por uma carência. Talvez ligou para saber se ainda faz falta, mesmo depois de tantos meses. E olha que ironia, nessa onda de mensagens instantâneas, você fez uma ligação. Porque sabe, que a pessoa que conheceu, acharia isso um máximo, ainda mais num sábado à noite. Mas se tem uma coisa que aprendi, e com você mesmo, é que não é nada bom alimentar expectativas. Afinal, elas morrem.  Você foi a pessoa que eu não tive, mesmo estando perto. A grande paixão que nunca vivi, mesmo já tendo ficado. Os olhos fechados sussurrando seu nome foram minha esperança e minha desgraça. Então, não tem porque insistir. Essa foi outra lição, não desistir de mim para insistir em alguém. Cansei do que é efêmero. Se eu quero algo que dure? Não. Só quero enquanto faz bem. Não preciso de muito para ser feliz, entretanto isso não signifique que eu me contente com pouco.  Minha alma está sim aberta, mas deixar você entrar é aceitar que…

Amores Imperfeitos

“Seu amor é uma mentira que a minha vaidade quer”. Cazuza compôs esse verso há vinte e oito anos atrás e, hoje, eu me pego pensando nele. A gente começa a conversar e o coração acelera, dá aquela agonia boa. Mas aos poucos, quando vamos avançando degraus, o outro se esquiva. Esperamos alguém que diga sim e saia correndo para nos encontrar, porém, cada vez mais, as pessoas ficam presas, escrevendo e reescrevendo respostas que nunca vão enviar.
         Alguns se aventuram em aplicativos de paqueras, para evitar o ritual do “onde você mora”, “qual o seu signo”, “o que você faz”, pois ali é para ir direto ao ponto. Que nada. São as mesmas pessoas que cruzamos no dia a dia, nas baladas ou esquinas, só não estamos olhando nos olhos. Olhos, que por sinal, a gente deseja tanto se encontrar. Precisamos escutar mais Cazuza e lembrar que “o amor a gente inventa, pra se distrair”. Portanto vamos conversar abertamente, facilitar a chegada e acreditar que, pode ser, sorte ter esbarrado com fu…

Depois Cura

Tenho visto as pessoas abominando a paixão, com certa frequência. “Deus me livre de me apaixonar”, elas dizem como se fosse um mantra. Eu sei que depois temos o coração machucado, é tão difícil querer se entregar de novo. Sempre bate o medo de ser mais uma história falsa. Existe o risco de se ver só novamente. Acho que todos nós já passamos por isso. Entretanto nunca rezei essa prece.
Temo, também, de me colocar na ponta do pé para fora da rota e perder o trilho. O medo de estragar tudo, de perder o que conquistei tipo no jogo de tabuleiro “volte duas casas...”. Porque a vida pode ser bem diferente do que um War jogado numa sexta-feira à noite. Ou não.Mas quero ainda me apaixonar, esse é o tipo de erro que sempre vou cometer. Eu sei disso. E com plena certeza de todos os riscos. Quero estar disponível a amar, até para amar as coisas e não somente as pessoas. Com o coração aberto, me apaixono pelas palavras, por conversas, por amigos, por beijos, abraços, toques e sorrisos, pelos meus l…

Eu existo, mesmo quando você não está afim

O celular apita. É uma mensagem. É sua. Dizendo que estou sumido. Mas não era isso que você queria? Não pediu para eu agir, como se você nunca tivesse existido? Fui obediente. Você pergunta o que vou fazer mais tarde. Eu sei o que você quer. E a culpa é minha. Por ceder as suas investidas. Preferia ter minutos de prazer, ter uns momentos bons, do que me valorizar. Esquecia quem eu era. Esquecia que me amar também é importante. E quando lembrei, você já tinha me deixado de lado. Era tarde para nós. Era cedo para mim.Outra mensagem. Agora só interrogações. Não vou responder. E sabe por quê? Porque cansa ser apenas uma válvula de escape. Cansa ser apenas um número na agenda. Você não vai segurar minha mão, quando eu assistir um filme de terror. Muito menos vai comprar um chocolate por ter lembrado que é o meu favorito. Nem quer saber, ao menos, como foi meu dia. Não sabe a música que mais escuto no momento. Não quer compartilhar, nem quer que eu compartilhe. Quero encontros com quem me o…

A vida é assim

Quando eu era adolescente me diziam que, quando as coisas não dão certo, doía muito, porque adolescente vê tudo com lente de aumento. A gente sempre acha que é o único amor, a maior dor, que será a única ex-amiga que teremos e por aí vai. Mas virei adulto e algumas coisas continuam doendo. Dói até quando é eu mesmo que decido ir embora, de uma relação furada. Sinto as lágrimas se formando mesmo eu colocando o ponto final.O ponto é que a gente nunca quer dizer adeus, mesmo sabendo que é o melhor a fazer no momento. Você é demitido e sente um baque, demora uns segundos para voltar a respirar normalmente, mesmo já não querendo o tal trabalho há muito tempo. O relacionamento está complicado, porém ninguém quer dizer – ou ouvir – que chega. Somos covardes. Sendo adolescente ou adulto. Tememos o fim. Ou melhor, tememos o depois. O que vem depois do fim. Acontece que algumas vezes na vida nós morremos e não viramos pó. Nos destruímos por completo quando nos despedimos de algo. Eu choro, pois…