Sentindo ao coração

A chuva caindo lá fora e eu sigo com minhas pretensões de ficar em casa. Festa para mim tem sido na cama, com o DJ travesseiro e um open bar de Netflix. O lance é que essas coisas vazias como dar voltas num espaço com luzes piscando e música alta tocando, não causa mais nada. O frio na barriga de ver gente nova também desapareceu. E olha que eu nem criei certas defesas, mesmo após tantas quedas e tropeços. Poucas coisas têm feito meu coração sair da inércia. Mas não pense que com isso digo que me sinto sozinho. Não, jamais. Até porque depois de um tempo, eu achei na escrita uma forma de falar sobre minhas emoções e até de ter companhias. 
Comecei a criar histórias, recontar minhas aventuras e imaginar tantos diálogos. Por que eu escrevo? Para me salvar. Coloco no papel o que a alma grita, até porque joelhos ralados se curam mais rápidos do que corações partidos. Passei escrever o que sinto e vivo, isso não significa que fico vinte e quatro horas com um papel em mãos. Porque na verdade, assim como a vida, tenho momentos soltos que são como uma frase ou um trecho. Têm acontecimentos que nem título chega a ter, como têm diálogos que ultrapassam a letra de "Faroeste Caboclo". Rabiscos soltos, rascunhos no guardanapo, textos mais elaborados ou apenas versos. Papos, conversas raras, coisas boas, histórias inacabadas, romances rasos ou raros. Alguns escritos são dedicados a alguém especial, que depois se tornam não-especial ou vice-versa. Alguns são dedicados a mim mesmo. Olha o colete salva-vidas.
Já esperei demais dos outros, me permito sorrir demais, mesmo que possa chorar mais a frente. Respondi aquela mensagem rápido demais e me arrependi. Lembrei que posso sim criar expectativa, se o outro vai corresponder é outro passo. Talvez as respostas nunca venham, mas as palavras sim. Escrevo para superar. O meu velho lema "a dor precisa ser sentida" corresponde a isso. Escrevendo, eu sinto. Tudo que foi bom vira lembrança, então escrevendo, eu guardo. Outro dia escrevi que tive uma noite linda, um encontro romântico do acaso. Hoje posso escrever que não tive resposta do meu bom dia ou que fui bloqueado, e eu nem sei por quê. E assim vou seguindo com os meus mais e mais. 

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