Cantinho

Era uma festa badalada, todos na pista dançando. Mas num cantinho qualquer, alguém sentado triste, olhando fixamente para uma parede azul. Duas senhoras conversam, uma delas aponta o ser e comenta não saber porque fulano está com aquele olhar triste, pois tem saúde, uma família, um emprego, estudo, o que mais pode querer na vida? A outra senhora, que estava calada, observou o olhar do dito cujo e fez a seguinte observação: Disse que era simples, a pessoa queria mais na vida. Ela tinha sonhos, objetivos, queria ser amada e, principalmente, apesar de ter tudo, ela tinha certeza que sempre queria mais e que isso não era pecado algum. Afinal ela cresceu com vários ideais, que ainda não concretizaram.

E a segunda senhora tinha razão, por mais que tivesse uma vida que muitos sonham, a dela não era exatamente como queria. Mas isso não a fazia uma pessoa triste, apenas um pouco solitária. Em alguns momentos, como aquele na balada, ela parava e imaginava como seria ter a vida que sempre sonhou. Mas ela tinha consciência de que por mais que algo faltasse, por mais que reclamasse, ela era feliz, bem feliz. Ainda depois que disseram a ela, que a vida pode não ser exatamente como ela sonhou, mas ainda assim era a vida dela, por isso não podia perder valor.

Depois do momento de dispersão, o alguém levantou, pegou um refrigerante e foi para a pista de dança e provou não só as duas senhoras, mas a todos que também sabia sorrir.

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