Felicidade Clandestina

É mais uma manhã com um sol brilhante, onde espero em vão por um sorriso seu. São tantos momentos implorando por uma mísera atenção. As palavras já nem ferem mais, afinal você disse que seria como se nunca tivesse existido, pena que na prática não é assim. Você invade as páginas do livro que leio, aparece nas imagens da minha televisão. Não consigo disfarçar, em sua presença, a felicidade clandestina que me causa. As promessas que me fez não cumpriu, nem mesma a de que seria fácil lhe esquecer. Nos campos ainda vejo as flores desabrocharem, deixando a mim a lição de que sempre terá o amanhã. Nunca haverá tempestade que nunca termine. Infelizmente - ou felizmente - nosso tempos de vertigem passaram. Não foi você quem errou, nós erramos, afinal uma relação é conduzida por dois e não por apenas um. Tudo ia bem, até a felicidade resolver pegar um atalho e se atirar numa ribanceira. Então entramos na fase das lembranças, que começam a diminuir com o tempo, eliminamos vestígios de um romance, amassamos fotos, raspamos as digitais e jogamos outro cheiro no ar, um que não lembre o seu perfume. Viramos a página. Visando a sinceridade, a felicidade nunca caminhou conosco. O comodismo e uma agradável sensação compareciam, mas a felicidade - plena - não. Não era a pessoa ideal, nem sabe o que era - o que é - amor. Era casual, clandestino. Faltava aquela culpa por ser tão feliz num mundo como esse. Contigo, o que mais aprendi, que nem sempre as palavras valem a pena, pois elas se perdem por aí, gestos me fazem ficar distraído, tranquilo. Não me sentia tão querido, amado muito menos. A atenção que eu tinha era a mesma que o seu Manoel da padaria. Então aprenda: Palavras ditas, são meras palavras. Preciso de provas, sentir. Clamo - urgentemente - pelo amor, acompanhado de felicidade, não só de uma alegria triste. Quem sabe, depois que o inverno passar, possa enfim, ter meus dias de primavera, cansei de falsas quimeras, assim como você que foi uma delas. Afinal desejo, como diz a Sandy: "Enfim não haveria mais qualquer fragmento de vida, vivido a só"*.

* Trecho da música "Ela/Ele" (Sandy Leah) faixa do álbum "Manuscrito".

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