Lembranças com o acorde da canção.


Mais uma vez me vejo diante de um temível fim. Novamente rasgo as páginas da agenda, deleto fotos do Orkut, troco as senhas que foram compartilhadas no apogeu da paixão. Fotos e cartas passadas na picotadora de papel. Mensagens excluídas, contato eliminado. E talvez por pura ironia, hoje te vejo mais que antes, que vivia assombrando-me em sonhos. Nosso romance era mais através do telefone móvel do que frente a frente. Vivia introspectivamente. Agora não importa o que diga, acabou sem chance réplica. Dei o meu melhor até o fim. Confesso sentir falta do seu sorriso, do seu calor, até do seu distante olhar. Já tinha acostumado-me com seu jeito frio. As lembranças parecem comédia romântica, mas com um triste fim. O gosto do derradeiro beijo ainda está em meus lábios. Mas com o tempo, tudo vai passar. É melhor viver sem suas desculpas. O trânsito que parou, uma reunião de última hora, o celular descarregou, coisas desse tipo. Hoje vejo que nunca me amou, acho que nem paixão sentiu, só era cômodo ter alguém ao lado, dando carinho, surpreendendo com apetrechos, chamados de presentes. Como quis tanto que nossa história fosse como um enredo de Manoel Carlos, que no tardio fim o amor vence, esquecendo tudo que se ocorreu durante os capítulos. Quando se foi, me senti como uma criança ao descobrir a farsa do papai Noel ou coelhinho de páscoa. Perdi meu super herói. Foi como um avião desabando em plena Floresta Amazônica. Mas todo o relato já se passou a cerca de uns três meses. Caso superado, arquivado. Porém nessa “imensa” cidade, encontro coincidentemente contigo e as lembranças surgiram como um insight. Por educação nos falamos, nossas bocas tão próximas, mas não beijei. Você refez sua vida. Não era pra ser, como diria o Luan Santana. A mim, prometi nunca mais me entregar. Não quero sofrer igual ao que passou. Cansei dessas canções que falam de amor, são pura ilusão, só fazem latejar o buraco que deixou em meu coração. Não quero mais girar em torno de alguém. Amei a ti profundamente, do fundo de minha alma, mas acabou. Diversas vezes senti sua falta, como queria você ao lado, vendo o sol nascer. Esse encontro inesperado serviu pra perceber que é tarde demais. Não existirá mais “nós”. Ainda guardo em uma caixa bonita, cartas que nunca lhe mandei. Postais que, propositalmente, extraviei. Os prédios da cidade não são mais altos que a dor que volta a pulsar em mim nesse momento. É as faíscas minaram. No cinema a cadeira ao meu lado vive vazia, a página do diário está em branco. O imprevisível encontro serviu para enxergar que o tempo não parou. O destino ainda segue. Como será o amanhã não sei. E quer saber, prefiro nem saber. Consultar cartomante, tarô, fora de cogitação. Talvez, por hoje, as lembranças não me deixem dormir, mas eu já sabia que seria assim. Desde do dia que extraiu o seu querer da minha vida. Naquela manhã primaveril jurei nunca mais sofrer uma desilusão, até hoje a solidão dói em mim. Mas agora vejo a falsa cilada que entrei, prometi o impossível a mim. Afinal tudo está escrito, tinha que ser assim, tem que ser assim e tudo será como está previsto. Agora passei a acreditar que dias melhores virão, hoje, amanhã ou depois não sei ao certo, mas eles hão de vir.

* escrito ao som de Push (Avril Lavigne) e The story of us (Taylor Swift)


Comentários

Greice Vieira disse…
Lendo seu texto, lembrei do Vinícius de Moraes. rs'
Quando ele diz: "(...) Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer (...)".

Beijos, Del.

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