Talvez

A frase “não é você, sou eu” está prestes a ecoar em meus ouvidos mais uma vez, mas agora não vou deixar bater a depressão, a tristeza não entrará, quem sabe seja até bom. Cansei de amores pela metade, a insegurança alheia não me satisfaz. Não vou demonstrar a dor, fingirei que nada aconteceu. O sorriso meia boca não me contenta. Não me dou em pedaços, entrego até a alma para fazer o outro feliz, então quero que seja recíproco. Meios termos não mais me alimentam. Quero que seja por inteiro. Meu coração já está contido, deixarei a razão agir agora. O ruim só é arquivar a adoração que sinto por ti, é incabível não viver o que se senti. As coisas iam tão bem como nunca estiveram, uma sensação plena e inocente, até que de repente se desandaram de maneira impressionante. Mesmo que a intenção não tenha sido essa, porém me senti como um mero passatempo. Confesso até que a tristeza fez sua aparição, consumindo um pouco, tenho vontade de me trancar e nunca mais falar com ninguém, trocar confidências e temores apenas com a solidão, que continua minha fiel companheira. Talvez um dia andarei com a felicidade estampada no rosto, um sorriso verdadeiro irá brotar dos lábios, a alma erguida e a tristeza de agora estará tão longe que será incapaz de se aproximar novamente. As lágrimas serão apenas de emoção. Talvez. Pude perceber que a indecisão machuca meu coração e a culpa não é sua, nem de quem já passou por aqui, o único réu sou eu. Preciso ser meu, antes de querer ser de alguém que conheci em uma balada qualquer. Espero pelo dia que isso vai passar. O tempo vai cessar as chamas. O erro talvez esteja em colocar sempre o amor como prioridade. Talvez quando isso mudar encontre alguém ou então, talvez, nem mude e encontre alguém que me aceite assim. Só sei que nesse momento é mais uma história pra minha coleção de decepções, mas volto a dizer que não é culpado, eu que sou tão vulnerável a me machucar. Creio que nunca contou os minutos para me ver, para ouvir minha voz ao telefone. Não se arrumou todo para chamar minha atenção, não usou artifícios, nem gastou seus truques. Muito menos se distraiu durante a aula ao lembrar do meu sorriso, nem se pegou “de repente” pensando em mim. Nem pensou em ver um filme romântico comigo, nem me mandar ao menos flores de plástico passou pela sua cabeça. É então não era você. Cedo ou tarde, o fim era previsível. Portanto, talvez assim seja melhor. Não quero perder o sono por conta de um falso amor. Se for para enlouquecer que seja por quem de o devido valor. Como não quer tudo bem, sem problemas, pelo menos eu tentei. Afinal a covardia nunca fez – e se Deus quiser não fará – parte das minhas características.

Comentários

DiegoDiTrix disse…
Belo texto, Del! Retratou, de uma forma poética, a forma como precisamos nos libertar de sentimentos que não nos fazem bem. Por mais que isso seja difícil, por mais que isso doa, muitas vezes, essa atitude se faz necessária para que possamos abrir os olhos para pessoas que realmente valham a pena!

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