Inevitável

Nas última vinte e quatro horas tenho pensado que novamente levaram minha paz, roubaram meu sorriso e apagou-se o brilho do meu olhar. Novamente me abandonam no melhor momento, depois de eu me doar, até perceber que não valeu a pena. Não sei onde tenho errado, no silêncio da noite tenho chorado. Aquele choro mais profundo, seguido de soluços e olhos inchados. É uma ausência que sinto em meu peito. Acho que ainda não estou adulto o suficiente para brincar longe do meu quarto, do quintal. Foi mais uma paixão ardente, mas uma daquelas dores que parece não ter fim. Na verdade nem sei o que foi. Talvez tenha sido a minha louca vontade de estar envolvido com alguém, de ser vencido por um olhar, de me apaixonar perdidamente. De ser tomado por uma mão, de perder o raciocínio ao lembrar de um sorriso. De arrumar um motivo a mais para me animar, de me produzir mais, de ler uma poesia e saber que posso vivê-la. Ando a procura de um amor irremediável, desses que a gente não cura porque não quer. Não era você. Foram sentimentos e pensamentos provisórios. Agora quem vai segurar minha mão quando o pânico apontar?! Mas pensando bem, é até melhor assim. Cansei de me contentar com restinhos. Se sou inteiro, quero alguém inteiro. Não deu certo, que pena! Hora de esquecer o que ficou. De catar os cacos. Que culpa. Foi mais uma ínutil tentativa de olhar a vida com os olhos do outro. Mas agora é seguir em frente. Cabeça erguida. E apesar dos pesares dos dias tudo vai fluir bem, eu sei que vai.

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