Remoendo

Hoje permiti sentir saudades. De quando ouvia sua voz por horas e horas. De como éramos um encaixe perfeito. Sabia como eu queria ser tocado, nossos objetivos se entrelaçavam, até que um dia seguimos caminhos opostos. Agora era só eu, um quarto escuro e um medo crescente, medo porque sempre fui tudo ou nada. Saudades de um abraço, de nossos lábios se tocarem como se não houvesse amanhã. Rabisquei teu nome no espelho embaçado e fiquei observando-o sumir debaixo do meu nevoeiro particular. E tornava a rabiscar e ver sumir e escrever novamente. Agora cometo o  deslize de escrever sobre você e constato, um tanto descontente, que tudo aquilo de carinho que alimentava continua ali, firme e forte e intocável. Deveria ter alguma forma, surreal e impensada, de tornar as coisas um pouco menos distantes, mas depois de todas aquelas mil vezes que você me dizia para agir mais e pensar menos, para vestir-me de atitudes e fazer aquilo que tinha vontade, sem me preocupar com o que acham ou deixam de achar, eu voltei a ser a mesma de sempre. O fato é que ainda tenho um bom bocado de carinho e queria que tu soubesses de. E pensei – que bom seria! – se existiria um mínimo de possibilidade de haver uma amizade culta, recheada de indicações de filmes, livros e músicas. Algo que sacudisse a rotina, que fosse diferente daquilo que vem sendo todo dia. Algo de incerteza... Sei lá.

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