Síndrome de Alice

Vasculhando as memórias, interrogo-me no espelho. Percebo o quanto deixei pra trás, ao sair batendo a porta. Tentei acreditar que ia mudar, que o desencanto passaria com um beijo sincero, mas não. Agora só restam as lágrimas, delas me sinto até refém. Ao conhecer, acreditei que começava um contos de fadas, porém não é a pessoa que sempre sonhei. Não tem final feliz para nós dois. Durante algum tempo, tentei fazer de conta que tudo ia bem, e ainda que poderia apelar para a fada madrinha, pra salvarmos o que estava ruim. Entretanto, aprendi que relações sem futuro não podem ser salvas, que chega uma hora que o castelo dos sonhos desmorona. A magia da varinha de condão não foi suficiente e, hoje, não quero ser mais uma Alice no país das maravilhas, que vive a correr naquele bosque e como lhe disse o coelho, o eterno muitas das circunstâncias dura somente um segundo, e isso já tivemos. Ou seja, aqui estou juntando os cacos que se quebrou, escrevendo aquele trecho que ninguém ler, após virar o fim. Mas sigo, com minha síndrome avessa aos finais felizes e crendo que o amor existe e que dá certo. Ainda confio no amor, só não acredito nas pessoas. É mais uma história a superar e deixar adormecida no peito. Vou seguir em frente, estou atrasado, estou atrasado, para minha felicidade. 

Comentários

@DiegoDiTrix disse…
Infelizmente o amor é um sentimento tão lindo que acaba sendo banalizado pelas pessoas. O que não devemos, é deixar da acreditar que o amor real existe e, sim, é capaz de nos fazer felizes! :)

Parabéns pelo texto! Me identifiquei muito!

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