Meus cinquenta tons

Como todas essas pessoas, que acabam acompanhando modinhas, na época li "Cinquenta tons de cinza", afinal só se falava no novo fenômeno literário. Não curti a forma que a E L James escreveu, entretanto li todo volume. Não gostei, mas li o segundo volume, que é um pouco melhor, já que neste o misterioso Christian Grey revela o porque de suas práticas e o fato de não curti romances, porém parei neste. Não li o terceiro livro, apesar de tê-lo na estante - sim, comprei os volumes juntos. 
A questão é mesmo não me simpatizando com a leitura, não resisti e ontem assisti ao filme, que até revelo me agradou. Primeira vez, que um filme me conquista mais que o livro. O Grey do cinema, mesmo sendo fechado, misterioso, parece mais humano e possível a mudanças. 
O fato é que não é o desejos sexuais do bilionário, que me incomoda e sim, o que faz Anastasia Steele aceitar esse acordo. Os jovens sãos confusos quanto a busca do amor, e como mantê-los, ainda mais nos dias de hoje, que parece que ninguém dá valor as relações. Portanto, as escolhas nos levam a dores. É o caso do casal protagonista de "Cinquenta tons", é uma relação totalmente doentia, perigosa. Ela se aceita submissa, por uma forte paixão. Uma coisa é se submeter a ver filmes que o outro gosta, ou experimentar comida japonesa, mesmo não sendo do seu gosto. Assistir a final do Vasco x Flamengo, ouvir o cantor que detesta, enfim coisas assim. Agora aceitar sentir dor, para assim ter o ser amado, é louco demais. Grey na verdade, assimila o amor a sentimentos ruins, já que foi negligenciado na infância. Ele sente prazer em machucá-la de formas bizarras e ela, segue seus desejos, esquecendo do amor que sonha viver, como nos velhos e conhecidos contos de fadas. Na vida real, isso acabaria mal. Ainda mais quando vemos tantos relatos de mulheres que sofrem agressão dos seus parceiros. E é ilusão da senhorita Steele acreditar que mudará Christian - tudo bem, que no livro isso acontece - afinal ninguém muda por ninguém. Acredito que as pessoas só mudam, quando querem, o que não parece o caso do protagonista. 
Você sai do cinema, se perguntando até onde vale ir por amor, o que é aceitável pra se ter alguém. Para mim, Grey é doente. Tanto que em uma cena ele diz que não é de "coração e flores", mas na outra, está de mãos dadas com ela. Amar é sinônimo de bem estar, prazer e não de receber palmadas por desobedecer a ordem do outro, afinal não era liberdade que essas mulheres queriam?! Chega de ser Amélia! O "felizes para sempre" de Anastasia Steele é sendo subordinada, porque ele a trata como uma criança a ser doutrinada, ganha um presente quando se comporta bem e ela, acha irresistível isso. Acho muito inaceitável, ainda mais se tratando do século XXI, onde como já disse a mulher não depende mais do homem, não tem mais que ser obrigada a nada. Mas, como dizem por aí, cada um sabe como vive e como é sua felicidade. Escolha a sua e boa sorte. Só sei que esses tons de cinza não me interessam, que para mim na verdade, nem cinzas são, são é negros mesmo. 

Comentários

Gleide Cerqueira disse…
Adorei seu comentário, e desta forma que penso também. Você está de parabéns
Cris Rodrigues disse…
Parabéns querido!! Muito bom o seu texto.
Cris Rodrigues disse…
Parabéns querido!! Muito bom o seu texto.

Postagens mais visitadas deste blog

Sou de gêmeos

Está demorando eu te esquecer

Antes do fim