Jogo do amor

No dia que o amor chegou, estava sem esperar, tanto que talvez não valorizei o gesto mais simples. O amor, na verdade, é quase um jogo e agora sei. Tipo um Banco Imobiliário, onde a lógica é conquistar territórios, dominar o mundo e enriquecer. Acumular coisas e ter mais que seus oponentes, enquanto rolam os dados. E assim, como no jogo da vida real, não se pode prever quem vai vencer. No jogo romântico somos jogadores que circulam a área intermediária do romance, em que uns insistem naquele vai-não-vai tão irritante quanto o sabe-o-que-quer-não-sabe-o-que-quer. Esse eterno pique-esconde que os covardes utilizam com convites remarcados, desculpas esfarrapadas, peças fora do tabuleiro e o medo de perder, que impede de querer jogar. Enquanto uns entram no duelo com garra, querendo ser vencedor. 
Amores bipolares não são divertidos. Sou fã da fantasia, mas cansei da desilusão. Não sei brincar de bem-me-quer-mal-me-quer, comigo é tudo ou nada. Com isso, tem dias que não queria ter crescido. Queria que os medos ainda fossem o de ir sozinho a cozinha durante a noite ou de tirar a casquinha do machucado antes de sarar. Mesmo com tanta gente no mundo, não entendo como fico sozinho em casa em uma sexta à noite, com um copo na mão e deixo a televisão ligada só para ouvir um outro som, fora minha respiração. E entre tantos contatos no telefone, não tenho pra quem ligar, pois estou esgotado de tantas possilidades, conversas pela metade e contatos apenas ocupando memória. Aliás, cansei de encontros que não são memoráveis. Game over para o que rola por insistência e não interesse. Chega de forçar assunto, esperar demais até a engrenagem funcionar. Não compareço mais a partidas, o outro vence seu joguinho por WO. Dei fim aos vazios, corações desinteressados, enquanto nos fones tocam Jorge e Mateus e passo em frente ao Starbucks, pensando que não foi dessa vez. Tudo bem, nem me incomodo. 
Pessoas ainda vão entrar e desaparecer da minha vida, até chegar o momento certo. E entenda, não existe escolhas certas. Não creio em certo ou errado, nos assuntos do coração. Existe o que é melhor pra gente, o que nos fere menos e traz paz. E vai ser assim, em algum momento, pois o importante é fazer as escolhas que nos façam felizes e não há regras, pois as coisas não são exatas. Até porque, como no Banco Imobiliário, os jogos duram horas e mais horas, porém no fim, alguém dá o xeque-mate. 

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