Não foi dessa vez

Acreditei mesmo, que dessa vez seria diferente, de todas as outras. A nossa ligação foi instantânea, a intimidade cresceu sem rodeios e em pouco tempo parecia que você sempre esteve aqui. Com esse sorriso tão lindo e os olhos também. E olha eu que estava bem. Estava tranquilo, tinha acabado de construir com tijolinhos minha muralha de estimação, pronto para não deixar ninguém ultrapassá-la por um bom tempo. Só que você trouxe tudo de mais bonito, se instalou na playlist do meu celular e assim criou uma passagem secreta na minha muralha, e nessa ponte troquei segredos só com você. 
Apesar das cicatrizes, das sombras do passado e de toda solidão, achou um canto esquecido no meu peito para se acomodar. E de repente, tudo começou a ficar bem ao seu lado. É isso que eu gosto em você. É chato, cabeça dura, teimoso, entretanto você vai do insuportável ao incrível, num estalar de dedos. Faz elogios, alegra meu dia e virou companhia, mesmo sem estar em todos os lugares. Até que achei que estava tão seguro no abrigo, que fui direto. Falei o que o queria, você me beijou na testa e disse "vamos ser só amigos!". 
Em um momento nos perdemos, me senti numa história com um fim meio sem final, daqueles que ninguém entende. Sabe aquela cena primordial do filme, para você entender a história? Então, eu perdi. Assim que eu me senti. Sei que ainda podemos conversar, ir ao cinema, passear, viajar e até falar dos nossos amores e paixões. Que irônico. Porque eu queria ser aquele que você pode ligar, para contar sobre seu dia cansativo de trabalho ou falar qualquer coisa que tiver no seu pensamento. Sendo que eu ainda posso ser, como um amigo, é claro. E então, entendi que não há razão para sofrer, pois você ainda está aqui. Ou posso, pois queria ser mais que um amigo. Mas ainda assim, eu abro um sorriso de gratidão por ter conhecido você. Não era amor, não chegou a ser amor, mas é tão lindo quanto. É amizade e é tudo que era pra ser.  

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