Você ainda não é minha recompensa

Estava lendo uma crônica da Martha Medeiros em que ela disse: "Quem sabe o amor seja a recompensa por termos resolvido nossos problemas". Ou seja, você não é o meu presente. Acho até que não me apaixonei, apenas cismei. Lógico que fui pesquisar se o seu signo combinava com o meu e que, por diversas vezes, fui na sua janela do whatsapp e fiquei digitando.
Mas aprendi na marra, depois de umas noites em claro e olhos inchados, era perda de tempo ficar te esperando. Cansei de lidar com suas inconstâncias, há dias que está um doce que nem mel e outros que está mais para um limão muito azedo. Não adianta eu querer estar ao seu lado, enquanto você está com um alguém qualquer na academia, na fila de um motel ou assistindo um episódio de Sense 8. Eu não precisava estar perto, para te sentir comigo. Não precisava te olhar, para achar lindo, mesmo com cara de sono. Você apareceu, fez o meu mundo girar e eu nem sei porquê. Eu criei nossa história, antes mesmo de vivê-la. Por isso, digo que cismei.
Claro que já imaginei a gente num transe de um beijo quente, enquanto a Taylor Swift canta nossa trilha ao fundo. Queria contigo conquistar coisas pequenas, como não esquecer quando se queimou no trabalho ou a história da sua cicatriz na infância. Será que quando você lembra de mim e das nossas conversas, solta aquela risadinha de canto de boca sem notar? Que diferença faz nessa altura da vida. Não adianta querer te levar, para onde você não quer ir. Quando te vejo e te abraço forte, isso até alivia a dor. Mas entendi que quando não há reciprocidade, não posso demorar. E esse é o lance. Você ainda não era minha recompensa, pois não tinha visto que não preciso de alguém. Que minha companhia é suficiente. Perdi tempo e me desgastei por quem não estava disposto a se dedicar. Enquanto você era um paixão ou uma cisma, eu era apenas um contato qualquer na sua agenda. 
Quero o recíproco, busco somente o que for verdadeiro e não posso mais amar alguém sem primeiro amar a mim inteiramente, ou seja, querida Martha, estou pronto para minha recompensa. Por isso, nunca pude te desembrulhar. Você ainda não é minha recompensa, apesar de estar em meus sonhos, de eu querer te contar que adorei o filme da Elis (Regina) e que estou lendo o novo livro do Gregório (Duvivier). Foi como um naufrágio te entregar meu coração, por isso desejo não sentir falta do teu cheiro de perfume importado, de perder o ar enquanto te vejo sorrir e das tuas reclamações. Não quero sentir falta, quero sentir ânsia e até aumentar a distância. Afinal a gente não tem, nunca teve nada. Mas estou bem. Até porque, voltando a citar Martha, "o amor é o prêmio para quem relaxa". 

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