A vida é assim

Quando eu era adolescente me diziam que, quando as coisas não dão certo, doía muito, porque adolescente vê tudo com lente de aumento. A gente sempre acha que é o único amor, a maior dor, que será a única ex-amiga que teremos e por aí vai. Mas virei adulto e algumas coisas continuam doendo. Dói até quando é eu mesmo que decido ir embora, de uma relação furada. Sinto as lágrimas se formando mesmo eu colocando o ponto final.O ponto é que a gente nunca quer dizer adeus, mesmo sabendo que é o melhor a fazer no momento. Você é demitido e sente um baque, demora uns segundos para voltar a respirar normalmente, mesmo já não querendo o tal trabalho há muito tempo. O relacionamento está complicado, porém ninguém quer dizer – ou ouvir – que chega. Somos covardes. Sendo adolescente ou adulto. Tememos o fim. Ou melhor, tememos o depois. O que vem depois do fim. Acontece que algumas vezes na vida nós morremos e não viramos pó. Nos destruímos por completo quando nos despedimos de algo. Eu choro, pois me faz lembrar que estou vivo.Às vezes nem são tantos problemas, é só que o peito é pequeno demais para suportar mais de uma coisa ao mesmo tempo. Bate a esperança, mas bate o cansaço. Bate a vontade de cair de cabeça no mundo e buscar, porém, bate o medo. Acabo me deixando a mercê do universo, esperando que ele vire tudo do avesso e resolva as coisas num estalar de dedos. Pura quimera. Não posso parar a vida e esperar que as coisas aconteçam. Entretanto o adolescente que quer viver tudo intensamente e acha que as coisas só acontecem uma vez, não existe mais. Ou está assustado. Desistir e começar assustam seja o menino ou um homem de barba. Mas, por mais que tudo pareça obscuro e complicado, é preciso tentar. A vida é assim.

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